Cesariana aumenta risco de diabetes em bebês

Bebês que nascem por cesariana têm 20% mais chances de desenvolver diabetes tipo 1, indica uma pesquisa da Queen's University, de Belfast, publicada no site PubMed, da Biblioteca nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Os pesquisadores revisaram 20 estudos já publicados sobre crianças nascidas por cesárea que sofrem de diabetes tipo 1.

Os resultados indicam que esse tipo de parto contribui para um aumento de 20% no risco do bebê se tornar diabético.

Segundo os pesquisadores, esse aumento não pôde ser explicado por nenhum outro fator como peso da criança no nascimento, idade da mãe, diabetes na gestação ou aleitamento materno.

De acordo com Chris Cardwell, que liderou o estudo, é provável que esse aumento ocorra porque os bebês que nascem por esse método são expostos primeiro à bactéria proveniente do hospital, e não da mãe.

O risco normal de um bebê desenvolver a diabetes do tipo 1 é de três para cada 1 mil crianças.

Opção

De acordo com Iain Frame, diretor de pesquisa da ONG Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos, as mães devem levar esse risco em consideração quando há escolha pelo tipo de parto.

“Já sabemos que a genética e as infecções infantis têm um papel importante no desenvolvimento da diabetes tipo 1 em crianças, mas os resultados desse estudo indicam que o modo como o bebê nasce pode afetar as chances de desenvolver essa condição”, afirmou o diretor.

Segundo ele, são necessárias mais pesquisas nessa área para descobrir a relação entre a cesariana e o risco de desenvolver a diabetes tipo 1.

Um levantamento encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil e divulgado em maio deste ano, usou dados de 2006 e indica que a cesariana representa 43% dos partos realizados no setor público e no privado.

Entre as mulheres que utilizam planos de saúde, esse percentual é ainda maior e chega a 80%. No Sistema Único de Saúde (SUS), 26% dos partos são cesáreas.

Vírus pode desencadear diabetes em crianças, segundo pesquisa

Um tipo de vírus comum pode servir como "gatilho" para o desenvolvimento de vários casos de diabetes, principalmente em crianças, segundo um estudo feito por pesquisadores britânicos.

De acordo com os cientistas, sinais de enterovírus - uma família de vírus comuns que causam sintomas como vômito e diarreia - foram encontrados no tecido pancreático de 60% das crianças pesquisadas que tinham diabetes do tipo 1. O vírus, no entanto, quase não foi encontrado em crianças que não possuem a doença.
 
Os pesquisadores também informaram que em 40% dos adultos pesquisados que possuíam diabetes tipo 2, foram encontrados sinais de infecção pelo vírus nas células produtoras de insulina.

O estudo, que foi publicado na revista científica Diabetologia, sugere a possibilidade do desenvolvimento de uma vacina para a doença.

Embora já se saiba que a genética tem um papel importante no risco de uma pessoa desenvolver diabetes, fatores ambientais também podem estar envolvidos e a ideia de que um vírus poderia causar a doença já estava sendo considerada por décadas.

Segundo um dos autores do presente estudo, Alan Foulis, da Glasgow Royal Infirmary, o enterovírus poderia estar presente em várias amostras de tecidos estudadas anteriormente, mas só agora foi possível detectá-lo por causa de avanços tecnológicos.

Junto com colegas da Peninsula Medical School e da Universidade de Brighton, ele estudou sinais de enterovírus em tecidos retirados durante as autópsias de 72 crianças que morreram menos de 12 meses após o diagnóstico de diabetes e os comparou com amostras retiradas de 50 crianças que não apresentavam a doença.

Nos tecidos de pessoas diabéticas em que foram encontrados sinais do vírus, ele foi descoberto especificamente nas células beta, que produzem insulina.

Gatilho imunológico

A partir dos resultados do estudo, os pesquisadores sugerem que, em crianças com predisposição genética para o diabetes do tipo 1, infecções por enterovírus poderiam desencadear a reação imunológica que inicia o desenvolvimento da doença.

Já em relação ao diabetes de tipo 2 - que comumente é relacionado com a obesidade em adultos - os pesquisadores especulam que a infecção afeta a habilidade das células de produzir insulina, o que, combinado com a grande demanda pela substância no organismo de pessoas obesas, seria suficiente para o desenvolvimento da doença.

Vacina

Há cerca de 100 diferentes variedade de enterovírus, assim, apesar de os resultados da pesquisa abrirem caminho para o desenvolvimento de uma vacina, os cientistas ainda precisam descobrir quais os tipos que podem servir como "gatilho" para o diabetes.

Um dos autores do estudo, professor Noel Morgan, da Peninsula Medical School, afirma que ainda são necessárias mais pesquisas para que uma vacina seja desenvolvida.

"Os próximos estágios da pesquisa são a identificação de quais enterovírus estão envolvidos e como as células beta são modificadas pela infecção. O último objetivo é o desenvolvimento de uma vacina eficaz, que, esperamos, irá reduzir drasticamente o número de pessoas ao redor do mundo que desenvolvem o diabetes tipo 1 e, potencialmente, o diabetes tipo 2 também", afirmou.

Para o médico Ian Frame, diretor de pesquisas da organização Diabetes UK, o estudo é "um grande passo" para identificar as possíveis causas da doença.

"Nós sabíamos há algum tempo que o diabetes de tipo 1 não pode ser explicado apenas pela genética e que outras causas ambientais também tinham algum papel no desenvolvimento da doença", disse.

Já Karen Addington, diretora-executiva para Fundação para Pesquisas sobre Diabetes Juvenil da Grã-Bretanha, que financiou a pesquisa, afirma que as descobertas são importantes, na medida em que a incidência de diabetes tipo 1 está aumentando a cada ano e ainda não há maneiras de prevenir a doença.

"O diabetes de tipo 1 é uma condição que ameaça a vida. O problema requer uma vida inteira de dolorosos testes sanguíneos e aplicações de insulina", disse.

Emma Wilkinson
Da BBC News

O que pensa a nova geração de diabéticos?

Imagem de divulgação
O estudante de Direito Luís Felipe Uffermann Cristovon (foto) é um exemplo aos diabéticos quando fala de sua relação com o diabetes. O futuro advogado descobriu a doença quando tinha catorze anos e mostrou maturidade e compostura desde aquele momento. O GAAD conversou com o Luís Felipe e mostra agora a lição de vida que ele nos dá.

Ele conta que a disposição para conhecer o tratamento é muito importante:
  "Descobri quase tarde a maior surpresa na vida de uma criança de catorze anos, um eterno acompanhante - o diabetes. Pouco menos de uma semana na UTI e bastante disposição para conhecer o tratamento e saber que rumo tomaria minha vida."

Recentemente, um grupo de diabéticos no Brasil levantou um debate na internet sobre a cura da doença depois de quase 90 anos da descoberta da insulina. Luís Felipe debate o assunto de forma realista e considera que o Brasil não fornece um tratamento eficaz para os diabéticos:
 "Não creio que a cura se faça presente enquanto estiver vivo, não é pessimismo, é uma realidade. Tive condições de arcar com o altíssimo custo de um bom tratamento no início até fazer valer o direito inerente previsto na Constituição de garantia à saúde e, mesmo assim, as complicações com a doença se fazem presente na minha vida. Imagino que a reivindicação do direito à saúde pelas pessoas menos esclarecidas seja muito difícil, às vezes impossível."

O jovem estudante da Faculdade de Direito de Sorocaba lida de forma natural com o diabetes e satisfaz todas as suas vontades de forma consciente.
"Fui aprendendo aos poucos a maneira de lidar com o diabetes. Cada dia representava um novo conhecimento, uma nova experiência sobre a doença. Hoje, lido de forma natural com o diabetes e sequer lembro o momento da primeira dose de insulina no dia, o que é bom. Satisfaço todas as minhas vontades e não preciso mentir, afinal, estaria enganando a mim mesmo. Porém, não recorro ao exagero. De tudo se leva uma consequência, controlo a glicemia e me aplico previamente a insulina específica, no caso."

O artista norte-americano Nick Jonas também é diabético tipo I e nos dá outra lição de vida. Com a mesma idade de Luís Felipe, Nick mostra confiança e deseja o mesmo aos portadores de diabetes em todo mundo. Ele descobriu a doença aos 13 anos e diz que não tem vergonha. Diz ainda que não é algo que ele poderia ter evitado ou algo que possa esconder.

 "No começo eu estava com medo. Eu não sabia se eu ia morrer. Mas quando eu percebi que a doença podem ser controlada, eu comecei a me sentir melhor! Ter diabetes me deu uma oportunidade para inspirar as pessoas que podem estar se sentindo como eu me sentia quando minha doença foi diagnosticada, inseguro e sozinho."
O GAAD acredita que o comportamento de diabéticos como o de Luís Felipe e de Nick, revelam que a nova geração de diabéticos está preocupada não apenas com a própria saúde, mas com a de pessoas que sofrem do mesmo mal. O tratamento previsto na legislação precisa ser exigido pelos pacientes e cumprido pelo Estado. Só assim teremos um futuro saudável e consciente na mudança de hábitos e comportamentos de ambas as partes. Até 2025, o maior aumento na incidência do diabetes está previsto para os países em desenvolvimento, como o Brasil. Sendo que, a cada ano, 7 milhões de pessoas desenvolvem diabetes.

Diabético tipo 1 completa 85 anos de diagnóstico com festa de 90 anos de idade

Durante o 71º Congresso da Associação Americana de Diabetes tivemos a oportunidade de participar do encontro do Centro de Diabetes da Joslin e assistir a entrega de medalhas a pessoas, no caso já senhores, que são grandes exemplos a quem foi recém diagnosticado, ou mesmo aos que têm "poucas décadas" desde o diagnóstico.

O grande destaque do evento foi um senhor que além da medalha, recebeu uma placa em sua homenagem, por seu exemplo às gerações mais jovens. Bob Krause, um simpático senhor de 90 anos, com muitas histórias para contar, é o primeiro americano que se tem notícia de ter vivido mais de 85 anos com diabetes tipo 1. E sua história, que será resumida a baixo, é realmente impressionante. Um verdadeiro vencedor. Imagine há 85 anos as dificuldades para se controlar a glicemia...

Nascido no mesmo ano em que a insulina foi descoberta, 1921, ao ser diagnosticado com diabetes aos 5 anos de idade, Bob já havia sofrido muito por ver seu irmão, diagnosticado 1 ano antes (quando a insulina ainda não era comercializada) sofrer e não resistir às consequências da hiperglicemia constante. Apesar do trauma, isso lhe trouxe lições. Até hoje Bob não deixa de lado o controle de seu diabetes. Fazendo mais de uma dúzia de testes por dia e gráficos de sua glicemia, Bob, com orientação de sua equipe de saúde, faz os ajustes necessários e mantém sua glicemia sob controle!

Hoje aposentado, Bob conta com orgulho tantas coisas que conquistou, como o cargo de professor de engenharia mecânica da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Paul Madden, Erica Alves, Bob Krause e Mark Barone

Um grande exemplo de superação como esse, que conseguiu vencer dificuldades de uma época na qual não havia como dosar a glicemia em casa, seringas só de vidro com agulhas enormes e 1 único tipo de insulina, deixa uma clara mensagem de esperança e de certeza de que é possível sim realizar os sonhos e viver uma vida longa e saudável com diabetes.

Fonte "Diabetic Live" em 26/06//2011 e contribuição do blog "Tenho diabetes tipo 1, e agora?"

SP é obrigado pela Justiça Federal a fornecer insumos e medicamentos menos agressivos a crianças diabéticas

Pela Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Estado de S. Paulo em 22/07/11, link.

A juíza federal Leila Paiva Morrison, da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo, concedeu liminar, em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, obrigando o Sistema Único de Saúde (SUS) a fornecer o medicamento insulina Glargina, bem como os respectivos insumos necessários ao tratamento de crianças e adolescentes portadores de diabetes mellitus, especialmente, agulhas curtas de 5 mm de comprimento e canetas aplicadoras de insulina. A decisão é válida para o Estado de São Paulo.

Após tomar ciência da decisão, o SUS terá o prazo de trinta dias para passar a fornecer os medicamentos e insumos. Em caso de descumprimento, está prevista multa diária de R$ 1 mil.

A AÇÃO
Em setembro de 2010, o MPF ajuizou ação civil pública contra o SUS para garantir meios necessários e menos dolorosos para o tratamento de diabetes mellitus nas crianças e adolescentes.

O diabetes causa a destruição ou a diminuição na produção da insulina, hormônio necessário para que a glicose seja transformada em energia para o corpo. No caso do diabetes mellitus, é feita a reposição da insulina destruída por meio de aplicação através de agulhas, injeções ou canetas aplicadoras. A quantidade de injeções aplicadas varia entre 1 e 4 por dia.

Conforme apurado em inquérito civil público de 2007, apesar de oferecer tratamento para o controle de diabetes, o Estado tem se restringido a fornecer as insulinas Regular e NPH e agulhas de 8 a 12 mm. A insulina correspondente, a Glargina, apresenta ação rápida e seu efeito no organismo é superior a 24 horas e uma dose desta insulina corresponde a duas doses da NPH. O fornecimento da Glargina proporcionaria menor sofrimento, em virtude da menor quantidade de aplicações.

O uso da agulha longa (acima de 8 mm) em crianças e adolescentes magros, pode ainda fazer com que a insulina seja aplicada no músculo, causando hipoglicemia logo após a aplicação, resultando em suores, tremedeiras, tontura, sensação de fraqueza, bem como hiperglicemia tardia, além de sangramento e dor. O mais adequado é o uso da agulha de 5 mm, dada a fragilidade da estrutura corpórea destes pacientes. Além das agulhas curtas, o uso das canetas aplicadoras também é menos doloroso.

Para o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, a ausência desses insumos fere o princípio constitucional do direito à vida e à dignidade humana. “O direito à vida deve ser interpretado não só como garantia de existência orgânica do ser humano, mas acima de tudo como garantia de uma vida plena e digna, principalmente em relação a crianças e adolescentes, que são prioritariamente protegidos pela legislação brasileira”, afirma.

Para ler a íntegra da ação, clique aqui.

Para ler a decisão da Justiça Federal, clique aqui.

Diabéticos e a perda auditiva

Pacientes diabéticos descontrolados ou aqueles portadores de complicações cardiovasculares ou neurológicas estão mais propensos a desenvolverem perda auditiva neurossensorial, de acordo com os resultados de dois estudos recentes.

O primeiro estudo foi realizado pela doutoras Kathleen E. Bainbridge e Catherine C. Cowie (the National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases). Este estudo avaliou 472 pacientes diabéticos com idades entre 20 e 69 anos de idade, participantes de um levantamento americano chamado de National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES).

As autoras do estudo encontraram um risco seis vezes maior de perda auditiva neurossensorial de alta frequência em diabéticos portadores de neuropatia periférica e doença arterial coronariana (presença de placas de gordura nas artérias no coração).Os pacientes diabéticos descontrolados apresentavam um risco 3 vezes maior de perda auditiva de alta frequência. A perda auditiva era uniforme, independentemente da idade do paciente diabético. Os mesmos achados não foram encontrados para as perdas auditivas de média e baixa frequências. No segundo estudo, o Dr. Mohammed Ismail da Manipal University (Mangalor, Índia,) também encontrou uma associação significativa entre a perda auditiva neurossensorial e o diabete melito descontrolado.Um total de 50 diabéticos foram comparados com 50 indivíduos controles não-diabéticos.

Todos os diabéticos com hemoglobina glicosilada (exame que avalia o controle do diabete melito nos últimos 3 meses) acima de 7% (refletido um descontrole da doença), tinham algum comprometimento auditivo (56.5% tinham comprometimento leve a moderado, 35% moderado a severo, e 9% um comprometimento severo).Somente 40% dos pacientes com hemoglobina glicosilada abaixo de 7% tinham alguma grau de perda auditiva. A perda auditiva teve uma relação direta com o tempo de duração do diabete melito.

Os pesquisadores acreditam que a perda auditiva em diabéticos descontrolados seja causada por alterações circulatórias e pelo comprometimento do oitavo par de nervos cranianos (nervo vestibulococlear).

Dieta pode driblar insulinorresistência

Todo diabético tipo 2 apresenta resistência a insulina - que se caracteriza por uma resposta reduzida do corpo a esse hormônio produzido pelo pâncreas -, mas nem todas as pessoas que têm resistência à insulina são também diabéticas. Geralmente, quando a pessoa é insulinorresistente, seu pâncreas aumenta a produção do hormônio para tentar fazer com que as células absorvam a insulina. Se isso não ocorre, a glicemia aumenta. Quando a taxa fica entre 110 mg/dl e 126 mg/dl, a pessoa é considerada como resistente a insulina. Acima de 126 mg/dl, é classificada como diabética.

A resistência à insulina está vinculada à obesidade. Por isso, é possível diminuir essa resistência e evitar que a pessoa se transforme em diabética seguindo-se uma dieta alimentar para perder peso, alerta a endocrinologista Ana Tereza Santomauro. Para emagrecer, é preciso ficar de olho no índice calórico dos alimentos, evitando-se excesso de gorduras e açúcares, por exemplo.

A médica lembra que outros instrumentos devem ser utilizados por quem quer perder peso e vencer a resistência à insulina. Fazer exercícios é um deles e o ideal é que a pessoa dedique pelo menos 40 minutos diários a uma caminhada ou outra atividade física. Não fumar e evitar o estresse são também atitudes que ajudam, diz a médica.

Segundo Ana Tereza, o histórico familiar constitui fator de risco importante para a resistência à insulina. Quanto mais próximo o parente que tem o problema, maior a chance de a pessoa também desenvolver o mesmo quadro. Ela diz ainda que embora não seja classificada como diabética, a pessoa com insulinorresistência deve procurar reverter sua situação não só para que ela não venha a se tornar diabética no futuro, mas também porque ela tem chances aumentadas de doenças cardiovasculares.

"Quem é magro a vida inteira tem 50% menos chance de ter problemas cardiovasculares", afirma a endocrinologista, lembrando que o diabetes é um fator favorável à ocorrência de doenças cardíacas.

Diabetes tipo 2 - qual é o papel do tratamento cirúrgico?


Segundo o endocrinologista Fabiano Lago, este assunto ainda é motivo de grande controvérsia entre os pesquisadores.O parecer da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre o assunto é o seguinte:

  • A possibilidade de tratamento cirúrgico do diabetes tipo 2 tem gerado grande expectativa entre os pacientes acometidos pela doença.A compreensão dos mecanismos envolvidos na doença e seu tratamento, está em rápida evolução, mas a recomendação de qualquer modalidade de tratamento deve estar baseada em evidências científicas concretas, derivadas de estudos de boa qualidade.
  • Em dezembro de 2008, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) realizou um fórum sobre este tema, com a participação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).
  • De acordo com as evidências científicas disponíveis, considera-se aceita a indicação de cirurgia para o tratamento de portadores de diabetes do tipo 2 com IMC (índice de massa corporal, ou seja, peso dividido pela a altura ao quadrado) superior a 35 kg/m2.
  • Abaixo deste nível de IMC, entretanto, são ainda necessários mais estudos clínicos com metodologia adequada à avaliação do impacto destes tratamentos cirúrgicos sobre a evolução da doença e a qualidade de vida dos pacientes tratados. Estes procedimentos cirúrgicos, no estágio atual de conhecimento, devem seguir todos os trâmites das boas práticas de pesquisa clínica, como a assinatura pelos pacientes de um termo de consentimento livre e esclarecido e a aprovação por Comitês de Ética em Pesquisa.
  • Não há ainda definição sobre o melhor momento de indicação do tratamento operatório, nem sobre a melhor técnica a ser escolhida, nem sobre os melhores parâmetros a serem considerados como indicadores de boa resposta terapêutica.Somente após os resultados destes estudos e a comprovação da sua reprodutibilidade, tais procedimentos poderão ser recomendados como opção terapêutica válida para o manejo do diabetes tipo 2.
Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Dez mitos e verdades sobre nutrição e diabetes


1-Pessoas que consomem muito açúcar têm maior incidência de diabetes?
Não. O desenvolvimento do diabetes ocorre por várias causas, como: obesidade, histórico familiar, estilo de vida inadequado ou falência da produção de insulina (hormônio que permite a entrada do açúcar para o interior das células).

2-O mel pode ser usado como substituto do açúcar?
Não. O mel contém sacarose, além de outros tipos de açúcar (frutose e glicose), sendo desaconselhado o seu uso como substituto do açúcar.Em excesso o mel também engorda e descompenda o diabetes.

3-O diabético pode comer macarrão (massas em geral) ou pão fresco?
Sim. Estes alimentos têm composição semelhante à do arroz e batata, portanto pode ser consumidos desde que em quantidade não excessivas, em refeições balanceadas complementadas com alimentos ricos em fibras como: verduras, frutas e legumes.

4-As carnes e os ovos não contém açúcar, logo, podem ser consumidos à vontade?
Não. Carnes e ovos não contém açúcar, mas contém gorduras e proteínas que, em excesso, também alteram a glicemia, os níveis de colesterol e sobrecarregam o sistema cardiovascular dos diabéticos.

5-Os produtos dietéticos podem ser consumidos à vontade?
Não. Os produtos dietéticos (que contém menos açúcar) poder muito calóricos, como por exemplo, o chocolate dietético, que, mesmo contendo menos açúcar, são desaconselhados para que quer emagrecer, por causa da grande quantdade de gordura presente neste alimento.Por isso é importante ler sempre os rótulos dos produtos para verificar a sua composição.

6-O pão de glúten, integral, centeio, bolhachas de água e sal e as torradas podem ser consumidos à vontade?
Não. Como qualquer outro tipo de pão, eles contém amido, que se transformará em açúcar no sangue, não podendo ser usados à vontade.Podem ser consumidos de maneira moderada assim como o pão comum.

7-Os óleos vegetais (milho, soja e girassol) podem ser isentos de colestrerol, podem ser consumidos à vontade?
Não. Os óleos devem ser utilizados com moderação, mesmo sendo vegetais e sem colesterol.Seu excesso também engorda e compromete o controle do diabetes, bem como, dos triglicerídeos do sangue.

8-Bebidas amargas como a água tônica podem ser utilizadas por diabéticos?
Sim. Desde que seja a versão diet.Embora a água tônica seja amarga, apresenta açúcar em sua composição.

9-É verdade que tudo que nasce debaixo da terra (cenoura, beterraba, mandioca e batata) aumenta as taxas de açúcar no sangue, não sendo permitido o uso para quem tem diabetes?
Não. Essas raízes contêm amido que se transforma em açúcar (glicose) em nosso organismo.Mas isso não quer dizer que não possam ser usadas pelos diabéticos.A batata, a mandioca e mandioquinha podem ser usadas como substitutos do arroz, batata ou macarrão, pois sua capacidade de elevação da glicemia (índice glicêmico) é menor.

10- Plantas em forma de chá são eficazes no tratamento do diabetes?
O tratamento do diabetes é eficaz quando seguimos as recomendações médicas (uso de medicamentos ou não), alimentares e atividade física.Embora alguns chás possam contribuir para a redução da glicemia, sua eficácia no tratamento do diabetes não é cientificamente comprovada.

Fonte: Informativo Laboratório Medley.

Estudo diz que obesidade causa o encolhimento do cérebro

RIO - Estudo realizado pela University School of Medicine, de Nova York, nos Estados Unidos, avaliou os efeitos da obesidade na estrutura física do cérebro. A doença, que está ligada a outras doenças degenerativas, como o diabetes, atinge 400 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, pelo menos 3,5 milhões de pessoas estão em estado de obesidade mórbida.

Os pesquisadores realizaram um exame de ressonância magnética em 63 pacientes, sendo 44 obesos e 19 magros. As pessoas obesas apresentaram mais água na amígdala, parte do cérebro responsável pelo comportamento alimentar, e um encolhimento na camada externa da parte frontal do cérebro, área envolvida no processamento cognitivo e tomada de decisões.

“Com esse resultado, os pesquisadores concluíram que no cérebro dos pacientes obesos existem neurônios a menos ou eles estão encolhidos. A obesidade é um fator de risco para diversas outras doenças, em especial o diabetes tipo 2, que está ligada à disfunção cognitiva”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Ricardo Cohen.

Além das constatações de perdas neurológicas apontadas no estudo, a obesidade provoca também uma série de outros problemas relacionados à saúde, como o diabetes tipo 2, que prejudica a sensibilidade das pessoas à insulina, resultando no acúmulo de açúcar no sangue.

O diabetes, doença que atinge 5,4% da população, mais de 11 milhões de brasileiros, é a terceira causa de morte no país, ficando atrás apenas das doenças coronárias e cardiovasculares. Pessoas com obesidade têm o dobro de chances de desenvolver o diabetes tipo 2.

A insulina é responsável pela regulação do metabolismo de carboidratos e gordura no corpo, além de controlar o fornecimento da dopamina, um neurotransmissor necessário para a atenção e atividade motora. A falta da insulina provoca perturbações na atividade da dopamina, podendo causar outros distúrbios cerebrais, como a depressão, doença de Parkinson, esquizofrenia, défcit de atenção e hiperatividade.

“A obesidade e o diabetes, que são doenças relacionadas, são degenerativas e o melhor tratamento, comparado ao tratamento clínico e a evolução das doenças, é o cirúrgico. Diversos estudos nacionais e internacionais comprovam que os pacientes conseguem permanecer magros com mais facilidade, vivem mais e não adquirem ou interrompem as afecções típicas da obesidade, como o diabetes”, destaca Cohen.

O número de diabéticos deve aumentar em 65% na América Latina nos próximos 20 anos. A estimativa é de que chegue a 30 milhões o total de casos latino-americanos nas duas décadas e que aumente de 285 milhões para 438 milhões o número de pessoas com a doença no mundo, de acordo com o levantamento da Federação Internacional de Diabetes.

Três tipos de cirurgia se mostram eficientes no controle do diabetes: o by-pass gastrojejunal, as derivações bilio-pancreáticas (scopinaro e “duodenal switch”) e a banda gástrica ajustável. As duas primeiras técnicas criam um atalho para o alimento, que é desviado do duodeno e chega antes à parte final do intestino. Esse desvio altera a secreção de alguns hormônios intestinais, como o GLP-1, cujo aumento estimula a produção de insulina, resultando na melhora ou até mesmo remissão total do diabetes tipo 2. A banda gástrica ajustável atua sobre a perda de peso e mais lentamente pode levar à melhora do diabetes, porém por meio de mecanismos diferentes das duas primeiras.

As operações para o controle do diabetes melhoram a sensibilidade à insulina nos pacientes e a habilidade do corpo de aproveitar a glicose na corrente sanguínea. A sensibilidade à insulina é prejudicada em pessoas com diabetes tipo 2, resultando no acúmulo de açúcar no sangue.

Os bons resultados da cirurgia para o controle do diabetes tipo 2 devem-se, basicamente, a dois fatores: a perda de peso do paciente e principalmente a alteração hormonal. “No início pensava-se que o controle da doença era consequência apenas do emagrecimento do paciente, porém os índices ligados a diabetes eram normalizados poucos dias após a cirurgia, antes que houvesse uma perda significativa de peso. Portanto, concluiu-se que a alteração hormonal também tem um papel fundamental no êxito do tratamento”, explica Cohen.
 
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